Com a palavra, o associado
Considerações sobre
a Reforma da Previdência
Jair Farias*
A forma simplista e apressada como está sendo conduzida
a reforma da Previdência, tem colocado o servidor
como foco principal, sem compor as demais variáveis
do sistema, notando-se claramente uma visão unilateral.
Até agora, tudo o que se ouve, vê ou lê
na mídia em geral tem sido somente a punição
ao funcionário de carreira, colocando na sociedade
uma visão errada do que realmente acontece dentro
do Sistema Previdenciário.
A quem interessa a reforma conforme o modelo que até
agora vem sendo vendido à sociedade, muitas vezes
de forma desordenada e contraditória? Será
às grandes empresas da previdência privada?
Será ao FMI, numa nítida intromissão
no gerenciamento das decisões na esfera nacional?
Ou será que tudo é fruto do desconhecimento
ou pressa do Governo em mostrar serviço, ainda
que ferindo direitos conquistados pelos servidores a duras
penas, ao longo de suas carreiras profissionais. Claro
que estou me referindo somente ao profissional cujos salários
são compatíveis com seus respectivos cargos,
não aos salários abusivos, cuja efetivação
procedeu-se ferindo os princípios da moralidade,
impessoalidade, ética e eficiência.
Mais sensato seria estabelecer novas regras aos novos
servidores, incluindo direitos que hoje não existem,
como o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço.
Além disso, seria imperativo realizar-se uma auditoria
nas contas do Sistema Previdenciário. Caso contrário,
tudo o que se diz a respeito se torna falácia de
quem desconhece os verdadeiros motivos da situação
atual.
O sistema deve funcionar como uma equação
matemática, mantendo o equilíbrio de forma
constante e atualizada, através do cálculo
atuarial. O que não se pode é concordar
com a perda da integralidade, cujo desconto se efetiva
ao longo da carreira.
*Engenheiro, Administrador da PMPA |