Rua Barão do Triunfo, 419, conj. 304
Bairro: Menino Deus
CEP: 90130-101 | Porto Alegre - RS
Fone: (51) 3217-2921
  Porto Alegre, 8 de Fevereiro de 2012 



Edição N° 26
Outubro 2009




Direito Adquirido: polêmica na Reforma Previdenciária
Entrevista: Ronaldo Lopes Leal

Gaúcho, de Porto Alegre, graduado em Direito pela UFRGS, em 1960, atua há 42 anos na magistratura: por 20 anos, foi juiz de Juntas Trabalhistas, por 9 anos, foi juiz togado do TRT do RS e, desde 1996, atua como ministro corregedor-geral do Tribunal Superior do Trabalho, em Brasília.
Defensor de posições polêmicas, o ministro corregedor-geral do Tribunal Superior do Trabalho está viajando pelo país, numa proposta de aproximar o Poder Judiciário da população. Em Porto Alegre, Ronaldo Lopes Leal colheu impressões que vão servir de suporte às propostas com que o Judiciário quer contribuir no processo de Reforma da Previdência.

O ministro defende a criação de "mecanismos eficazes de punição dos maus juízes" e apóia o presidente Luis Inácio Lula da Silva por ter pregado controle externo do Judiciário. O corregedor diz que o presidente "tem razão", pois os juízes sob investigação se aposentam e não são processados.

O Jornal da Astec sistematizou algumas das manifestações do ministro durante sua estada na capital. Confira!


JA - Sobre a Reforma da Previdência e o funcionalismo público:
Min Leal - Ela precisa ser feita. Não é possível haver tamanho descompasso entre o servidor público e aquele que trabalha para a empresa privada. Agora, a fórmula a ser adotada é que é polêmica. Muito polêmica. Basta dizer que, no Governo Lula, se estabeleceram alguns regramentos relativamente ao servidor público, como o problema do pedágio que agora vai ser atropelado pela reforma que se pretende fazer. O pedágio é uma situação em que há transição entre o sistema que vigorava até então e o sistema que foi implantado a partir das mudanças (que entraram em vigor no Governo FHC). As pessoas já estavam pagando esse pedágio para se adequarem à transição, mas agora isso não vai ser respeitado para as pessoas que já estavam dentro do novo sistema.

JA - É provável que isso gere grande demanda na Justiça?
Min Leal - Sim, porque o grande ponto da discórdia hoje, quando se fala em Reforma da Previdência, está no conceito de Direito Adquirido. Mas, o que é Direito Adquirido (DA)? São três as compreensões possíveis: uma radical, dizendo que "eu tenho DA porque entrei para o serviço público com esse sistema previdenciário. Só quem entra depois é que vai sofrer o influxo de outro sistema"; outra defende que "o cidadão é apanhado imediatamente, não importa quanto tempo tenha trabalhado pelo atual sistema" (esta também é radical); por fim, a quer o Governo quer adotar - "o trabalhador é apanhado imediatamente. Se ele, para trás, tem xis anos como servidor público, vai ser abrangido pela aposentadoria do servidor público proporcionalmente a esses anos e, só a partir de então, pelas novas regras".

JA - Como o Judiciário vê essa concepção do governo no que se refere ao Direito Adquirido?
Min Leal
- Este é um grande problema. O Supremo Tribunal Federal já tem uma jurisprudência, que é a concepção radical de que nada pode ser feito a não ser com os que ora ingressam no serviço público. Em se confirmando a proposta do Governo anuncia-se, portanto, uma grande demanda de reclamatórias trabalhistas.

JA - Sobre essa posição do STF, tem sido aventada uma possibilidade de mudança, tendo em vista o ingresso de três novos ministros indicados pelo Governo Lula, em vagas abertas pela aposentadoria de três ministros.
Min Leal
- Essa é uma pergunta que escandaliza o mundo judiciário brasileiro. É que o Supremo Tribunal Federal é independente e não se vincula politicamente ao governo. Não importa que o presidente da República nomeie A, B ou C. Para ser juiz ele vai ter que demonstrar a independência do juiz.
Até porque ele julga o Executivo. Pois bem, pelo que li na Zero Hora, o ministro da Justiça declarou que esse três novos ministros estão afinados com a política do Governo Lula. Esta é de escandalizar todo o mundo jurídico do país, transformando o Supremo não só num tribunal político, mas num tribunal homologador daquilo que o Executivo faz. Isso é extremamente negativo para a cidadania brasileira, porque a cidadania é defendida pelo Poder Judiciário.

JA - Sobre a proposta do Governo de Reforma Trabalhista:
Min Leal
- Minha aposta é de que o Governo Lula vai tentar uma "faxina", enxugando a legislação vigente. O resultado final vai mesmo depender da mobilização das diferentes categorias profissionais.




« Voltar



Edição N° 10
Junho 2003


Astec - Todos os Direitos Reservados 2012 ©

Desenvolvido por: Rafael Mann - Projetista em TI - rafamann@terra.com.br
Jornalista Responsável: Ruvana De Carli - DRT 5534 - ruvanadecarli@hotmail.com