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  Porto Alegre, 8 de Fevereiro de 2012 



Edição N° 26
Outubro 2009




Editorial
A dança dos números

É lamentável que a tão propalada transparência da Administração Popular fique ofuscada pelas suas próprias publicações, no DOPA, dos relatórios da Lei de Responsabilidade Fiscal. É só analisar as publicações dos dias seis e 30 de maio, respectivamente. No dia seis foram publicados os relatórios de 2002 e no dia 30 os relatórios do 1º quadrimestre de 2003. No Demonstrativo da Despesa com Pessoal - Poder Executivo, publicado no dia seis de maio (DOPA, pág. 24), verificase que o comprometimento da receita corrente líquida com a folha de pagamento e encargos foi de 45,94%, portanto bem abaixo do limite prudencial de 51,30% estabelecido pela LRF.

Esse percentual (45,94%) deve ter sido do agrado da A.P., porque necessitava encaminhar a solicitação de liberação de empréstimo internacional para obras na cidade, cuja concessão só ocorre quando os limites legais são cumpridos. Surpreendentemente, no momento de conceder a bimestratidade e negociar as reivindicações da data base dos Municipários, o DOPA, em sua edição de 30 de maio, página 19, apresenta o mesmo Demonstrativo da Despesa com Pessoal - Executivo, porém com outros critérios, que provocaram o inchamento da despesa, elevando o percentual de comprometimento da receita corrente líquida a 51,28%, apenas 0,02% abaixo do limite prudencial (que continha de chegada, hein Prefeito Verle?).

A mudança de critérios, como a provisão para o 13º salário (certamente sem excluir os 4/12 de 2002, que foram considerados no demonstrativo relativo a dezembro), a inclusão de aproximadamente sete milhões de reais de sentenças judiciais (segundo o TCE, não podem ser consideradas despesas cujo fato gerador tenha ocorrido em prazo superior a 12 meses e é sabido que não existem julgamentos definitivos na área de pessoal em menos de 12 meses), o acréscimo de mais de 30 milhões de reais sob o título "Outras Despesas de Pessoal - Contratos de Terceirização" (que contratos são esses, Prefeito Verle, que apareceram no 1º quadrimestre de 2003 e não existiam antes? Trinta milhões de terceirização?) claramente serviram para chegar ao índice publicado...

Vamos ficar atentos, pois, se não bastasse a avassaladora Proposta de Reforma da Previdência dos Funcionários Públicos em nível federal, aqui, no âmbito do Município, a partir de medidas como esta, estamos sujeitos a ver o começo do desmoronamento de uma conquista de longa data (1988), que é a bimestralidade com índice integral do IGPM.

O momento exige que nos empenhemos cada vez mais na garantia de nossas conquistas.




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Edição N° 10
Junho 2003

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