Artigo Técnico
Tecnologias de Transporte X
Metrô de Porto Alegre
Severino Feitoza Fº., Pós-graduado
em Gestão Pública, Especialista em Transporte
e Engenharia de Tráfego, Coordenador Técnico
dos Estudos de Metrô da Prefeitura (período:
janeiro/2001 a março/2003).
Neste artigo abordaremos apenas as tecnologias de transporte
e futuramente os estudos sobre metrô para Porto
Alegre.
É provável que a discussão sobre
tecnologia de transporte seja tão antiga quanto
a necessidade do homem de ampliar a sua capacidade de
deslocamento. Desde o primeiro veículo a vapor,
em 1769, a tecnologia evoluiu com grande velocidade,
o mesmo ocorrendo com os conceitos relativos aos sistemas
de transporte público a partir do século
XIX.
No Brasil, o processo de urbanização
dos últimos cinqüenta anos fez crescer a
demanda por viagens nos grandes centros, exigindo técnicas
operacionais que ampliassem o potencial de utilização
do sistema ônibus.
Uma das respostas dadas pela criatividade dos planejadores
de transportes está nas soluções
implantadas nos corredores de transportes de Porto Alegre,
dotados de faixas exclusivas para ônibus que podem
operar, por exemplo, em comboios ordenados, atingindo
cerca de 25.000 passageiros/ hora/sentido.
Ocorre, porém, que a elasticidade do sistema
ônibus tem limites impostos por fatores diversos
e que variam desde as características do Sistema
Viário até as condições
operacionais e de gerenciamento do sistema.
Mesmo assim, as demandas por transporte coletivo nas
cidades brasileiras têm sido atendidas quase que
em sua totalidade pelo modo ônibus, restando aos
trens metropolitanos e metrôs, participações
menores, principalmente pelo seu alto custo de implantação
e pela necessidade de subsídios para cobrir os
custos de operação e manutenção,
para que a tarifa fique ao alcance do poder de pagamento
dos usuários.
Não existe unanimidade com relação
a alternativas tecnológicas, e muito menos no
que diz respeito à aplicação ideal
de cada uma delas. Existe, no entanto, consenso sobre
a necessidade de que as modalidades disponíveis
atuem de forma integrada, aproveitando-se as suas principais
vantagens, dentro das condições especificas
de cada área urbana.
Há alguns atributos onde as alternativas tecnológicas
devem ser analisadas: capacidade de atendimento à
demanda; custos de implantação e de operação;
influência sobre a estrutura viária; capacidade
de adaptar-se à evolução da demanda
de forma integrada e possibilidade de padronização
e de produção pela indústria brasileira,
para elevar índices de nacionalização.
Essa análise deve considerar que os conceitos
e os valores aceitáveis para a capacidade de
atendimento à demanda variam bastante, bem como,
deve levar em conta a origem dos trabalhos disponíveis
e dos interesses em viabilizar esta ou aquela tecnologia.
Além destes atributos, deve-se enfatizar a questão
dos impactos ambientais causados pela implantação
de um projeto ou alternativa tecnológica que
são de diversas naturezas, podendo ser também
analisados de diversas maneiras, sendo, no entanto,
mais significativos os impactos causados pela implantação,
sobre o uso do solo, o comportamento das pessoas, a
segurança, o ambiente visual, o ambiente sonoro
e o ar atmosférico.
Para melhor compreensão, apresenta-se no quadro
abaixo uma comparação entre as principais
alternativas tecnológicas de transporte que,
cotejada pelas demandas, pelo grau de eficiência
e custos e pelas condições físico-urbanísticas,
possam vir a definir as características de um
sistema integrado a ser proposto.
A cidade de Porto Alegre, mesmo contando com um dos
mais qualificados sistemas de transporte do país
na modal ônibus, deve considerar que o atual funcionamento,
estruturado basicamente por essa modal, tende cada vez
mais a degradar a área central e os principais
corredores. Portanto, a adoção de tecnologias
ferroviárias (metrô) e do aeromóvel,
desde que devidamente inseridas numa rede integrada
de transporte de média e alta capacidade, bem
como precedidas do adequado tratamento urbanístico
e de viabilidade institucional, técnica, e econômico-financeira,
podem ter efeitos positivos sobre o desenvolvimento
do transporte, da estrutura urbano-ambiental e sócio-econômica,
de forma sustentável.
Documentos consultados:
1. Revistas de Transporte Público -ANTP
2. Tecnologia de Transporte Urbano. José Boissy
Tenório de Melo, 1978.
3. Estudo de Viabilidade, Prefeitura Municipal de Manaus
/ TCI - Planejamento, Projeto e Consultoria Internacional
Ltda., 1989.
4. Considerações sobre Tecnologia de Transportes.
Luiz Paim, A. Cesar Prado, Luiz A. Oliveira, H. Studart,
1979.
|