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  Porto Alegre, 8 de Fevereiro de 2012 



Edição N° 26
Outubro 2009




"Restaurar a constitucionalidade"
Entrevista: Des. José Aquino Flôres de Camargo

 
Esta é uma das expectativas do Judiciário para o Projeto de Reforma da Previdência que tramita no Senado. Segundo o des. José Aquino Flôres de Camargo, "é possível que a mobilização dos servidores públicos nas três esferas consiga, ainda, garantir o respeito aos direitos em curso, restabelecer regras de transição, assegurar a previsibilidade dos benefícios a serem recebidos a partir da aposentadoria e definir melhor a paridade para os atuais servidores". O presidente da Ajuris vê na mobilização dos cidadãos a grande porta para reduzir o impacto negativo das medidas que o Governo Federal tenta impor.




JA - Qual é a proposta da União Gaúcha em Defesa da Previdência Social Pública (UGDPSP)?
Des. Aquino
- Temos acompanhado o noticiário, temos conversado com diversos segmentos do serviço público dentro da UGDPSP. A nossa expectativa é de mudança. O projeto melhorou um pouco, mas é crivado de problemas seríssimos. Esse projeto é um golpe muito forte ao serviço público nas três esferas de poder (Executivo, Legislativo e Judiciário), como aos entes estatais, ou seja, os municípios, os estados e a união. De modo geral, o serviço público é apunhalado e o Judiciário, há uma evidente tentativa de fragilizá-lo.

JA- Qual é a maior preocupação neste momento?
Des. Aquino- Nos preocupa muito que exista a substituição da idéia de mérito, de concurso, por uma noção de outro ente público, baseado mais na vinculação partidária, nos cargos de confiança. Tanto que a imprensa tem divulgado: o Governo disponibilizou cerca de 21 mil cargos entre o partido que centraliza o comando e aqueles aliados. Então, o método político que está sendo usado é o "toma lá, dá cá" - troca de cargos por votos, renúncias a CPIs em troca de adesões políticas. É uma profunda decepção. Estamos falando de Reforma da Previdência, quando o que pareceria mais adequada uma reforma política, porque a legitimidade de todas essas decisões está muito comprometida pela falta de pluralidade no Congresso Nacional.

JA- Quais são os principais problemas da proposta?
Des. Aquino- Primeiro, a proposta em andamento atinge frontalmente as chamadas cláusulas pétreas em três pontos: rompe com o princípio do pacto federativo quando é desconsiderado quanto ao sub-teto único, que reduziria drasticamente, de um momento para outro os vencimentos de algumas carreiras cujos salários não poderiam ultrapassar o do prefeito, que é um cargo provisório, transitório. O pacto também é ignorado quanto a autonomia dos Estados para gerenciarem seus recursos. Em segundo lugar, desrespeita o princípio da separação entre os poderes, o que, por exemplo, acaba com a independência dos juízes. E, também muito grave, a proposta fere a garantia fundamental dos direitos adquiridos, valendo-se de um falso discurso de marajás. É o neo-collor da história republicana que tenta desconstituir a base social do serviço público frente à população. O governo distribuiu 21 mil cargos de confiança no Brasil para assegurar a votação da sua proposta no Congresso. A média salarial desses cargos é de R$ 7 mil mensais, enquanto a média salarial de 14 mil juízes brasileiros não ultrapassa R$ 8 mil reais.
Mas isso não encontra eco na imprensa. Outro problema é a tentativa de eliminar as regras de transição asseguradas pela Emenda Constitucional nº 20, que garante que garante o pedágio para quem entrou até 1998. Sem isso, eliminaríamos a idéia de estabilidade.

JA- O Previmpa, que é a Previdência dos Municipários, é uma espécie de ícone da previdência pública no país. Mas enfrenta problemas no seu relacionamento com a Administração Municipal. Como o senhor vê isso?
Des. Aquino
- É desconfortável a situação do Previmpa, porque mostra o que vai acontecer com os novos fundos. O Projeto até prevê que o sistema seja público, mas de outro lado tira qualquer segurança, porque vai depender dos humores do mercado e da administração pública. No caso específico do Previmpa, a denúncia é de 56,5% dos valores que deveriam ser depositados no fundo de compensação teriam sido sacados pela Administração Municipal. E esse fundo de compensação é o que daria lastro para assegurar a aposentadoria daqueles que ingressaram no serviço público antes da constituição do Previmpa. Aqueles que não estão submetidos aos fundos poderão ter suas aposentadorias sem sustentação financeira num futuro muito próximo. Isso é gravíssimo. De outro lado, também foi denunciado que o município também não estaria fazendo o depósito da sua parte dos fundos. Levamos esta denúncia aos presidentes da Câmara de Vereadores, do Tribunal de Contas e ao Procurador Geral de Justiça. Queremos absoluta transparência para que venha à tona se é legal ou não é, se convém que haja este tipo de administração ou não. Não se quer repetir aqui o caso do Chile que fez sua reforma da previdÊncia há 20 anos e agora, quando chega a hora de começar a pagar as aposentadorias, o dinheiro foi pelo ralo do mercado financeiro. Será que essa é a melhor forma de gestão para o Previmpa? É preciso que se discuta isso logo.


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Edição N° 11
Setembro 2003


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