Editorial
Ineficiência administrativa:
quem paga essa conta?
Nos últimos tempos temos tentado manter negociações
com a administração sobre diversos assuntos
, todos eles decididos em assembléias gerais, alguns
de interesse próprio dos técnicos de nível
superior, como as integrais condições de
trabalho, outros de cunho geral - bimestralidade, vale
refeição a 10 reais, plano de saúde,
entre outras questões. Entretanto, apesar do nosso
esforço, nada ou quase nada evolui: reuniões
intermináveis, argumentos vazios, números
mascarados, chiliques de nervosismo, rompantes, e nada
de objetivo avança. Quando não tem mais
saída, vem o velho papo para fugir dos compromissos:
"bota no papel que nós levamos para o conjunto
do governo", ou para o "comitê político",
ou "o prefeito vai examinar".
O fim da bimestralidade é o objetivo da administração
e o discurso de sua manutenção é
falso. O índice deixará de ser real, aferido
por instituições reconhecidamente idôneas,
conforme determina a lei, e passará a ser virtual,
determinado pela conveniência da política
administrativa do prefeito. O índice sai única
e exclusivamente da cabeça do prefeito João
Verle, que se coloca acima das leis, como mostra o parecer
da Comissão de Constituição e Justiça
da Câmara Municipal, enviado ao Tribunal de Contas
do Estado, que qualificou o decreto do Executivo para
alterar as regras da bimestralidade de "documento
inidôneo" (veja notícia desta edição
- Bimestralidade: "Decreto de 0,54% é inidôneo"),
pois contraria a própria lei que rege a matéria.
Ou fazemos uma mobilização mais forte
ou vamos continuar a agüentar a prepotência,
a incompetência a nos enrolar e não decidir
nada, o que é muito bom para eles. Já
perdemos 1,92% em maio e, apesar de dizer que vai pagar
quando puder, não escreve nem documenta e, quando
for cobrado, vai dizer que "não é
bem assim". O diálogo e o atendimento dos
funcionários só existem na propaganda
oficial. Na prática, nossas condições
de trabalho, plano de saúde, plano de carreira,
só têm piorado.
E, afora isso, a administração se mantém
inerte diante dos acontecimentos da conjuntura nacional
e tenta nos imputar a responsabilidade do pagamento
da conta de sua ineficiência.
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