Artigo Técnico
Tecnologias de Transporte X Metrô
de Porto Alegre
Severino Feitoza Fo., Arquiteto,
Pós-graduado em Gestão Pública,
Especialista em Transporte e Engenharia de Tráfego,
Coordenador Técnico dos Estudos de Metrô
da Prefeitura
(período: janeiro/2001 a março/2003.
A implantação de uma nova tecnologia em
uma determinada área urbana pode apresentar razões
de diversas naturezas, tais como incapacidade do sistema
local em atender à demanda devido ao excessivo
número de linhas superpostas e à extensão
da rede; velocidade comercial cada vez menor; freqüências
insuficientes e irregularidade nos horários de
pico; incapacidade de acompanhar o crescimento da demanda
(quantitativa e qualitativamente); e, impactos ambientais
negativos do sistema atual (principalmente com relação
as questões de segurança e poluição).
Não há um tipo de tecnologia de veículo
adequada para todos os serviços. Cada sistema
opera com maior eficiência dentro de uma determinada
faixa de demanda, do ponto de vista econômico
e quanto ao nível de serviço. Também
não há um tipo de veículo adequado
a todos os tipos de serviço.
O metrô, em virtude de ser um sistema independente,
a sua operação não é afetada
pelos outros modos de transporte, consequentemente permitindo
maior regularidade do serviço, elevado padrão
de segurança, mais alta freqüência
e maior conforto para o usuário.
Evolução dos Estudos de Metrô
em Porto Alegre
Desde Janeiro de 2001, a Prefeitura vem estudando a
viabilidade de implantação de novas linhas
de metrô em Porto Alegre e está adotando
os conceitos de qualificação da mobilidade
urbana (rede multimodal, estruturadora da mobilidade
urbana, que pode servir de instrumento de mudança
do planejamento e gestão do sistema da grande
Porto Alegre; alto e rigoroso nível de integração
física, operacional e tarifária; capacidade
e flexibilidade para atender alterações
nos padrões de deslocamentos e demandas futuras,
bem como oferecer diversidade de integração
tecnológica; Integração tarifária
com introdução do cartão eletrônico
para facilitar a integração dos diversos
modos; estações e terminais de integração
de alto nível de acessibilidade e tratamento
urbanístico, paisagísticos e arquitetônico.
Portanto, a definição do enfoque passa
a ser de Rede Multimodal (complementaridade, integração
e racionalização dos sistemas); Solução
Multisetorial; e, Projeto-Empreendimento.
Esta visão do modelo de desenvolvimento do transporte
requer a indispensável integração
do planejamento do uso e ocupação do solo,
do sistema viário, da circulação
e trânsito e do transporte público priorizado,
capaz de competir com o automóvel.
Em fevereiro de 2003, a Prefeitura concluiu estudos
preliminares sobre alternativas de rede de média
e alta capacidade (metrô), considerando a simulação
de carregamento e demanda para um traçado circular
de metrô, de forma alternativa e comparativa com
a linha 2. Os resultados de simulação
desse traçado circular de metrô em Porto
Alegre, com aproximadamente 33 quilômetros de
extensão, considerando uma integração
flexível, indicaram uma demanda no ano 2013 de
634.000 embarques/dia, 72.000 embarques/hora pico manhã,
com trecho de máximo carregamento na ordem de
28.200 passageiros/hora/sentido. Enquanto que, a Linha
2 indicada pela TRENSURB, com uma extensão de
21 quilômetros, simulada de forma comparativa,
com os mesmos parâmetros e cenários, apresentou
232.000 embarques/dia, 26.500 embarques/hora pico manhã
e 16.200 passageiros/hora/sentido no trecho de máximo
carregamento. Ver a seguir, mapas do modelo de suporte
físico e da rede estrutural do sistema integrado
de mobilidade urbana. Deve-se salientar que é
indispensável o desenvolvimento de estudos de
viabilidade técnica-econômica dessas alternativas
simuladas.
Visando dar continuidade aos estudos e projetos necessários
à tomada de decisão de forma integrada,
a Prefeitura apresentou, em Abril/2003, aos governos
Estadual e Federal, uma proposta de Projeto Estratégico
para o desenvolvimento integrado dos sistemas de transporte
público da grande Porto Alegre, que consiste
na formatação e assinatura de Convênio
de Integração e Cooperação
Técnica, entre as três esferas de governo.
O Convênio está tramitando nos três
níveis de governo com previsão de assinatura
para o próximo mês de outubro e apresenta
como objetivos a definição das condições,
responsabilidades, etapas e procedimentos necessários
a integração dos Sistemas de Transportes
Públicos da Grande Porto Alegre.
Os estudos para o modelo de gestâo, deverão
considerar a solução de Consórcio
Regional de Transporte Público, que vem sendo
adotada em outros países, a partir da criação
de um órgão com autoridade representativa
e capacidade técnica suficiente para exercer
as funções de coordenação
e controle, planejamento da infra-estrutura e serviços,
fixação de tarifas comuns, determinação
das características e tipo de transporte e das
compensações econômicas entre os
distintos modos de transporte. Para tanto, é
necessário vontade e coragem política.
Atualmente, o tema metrô está sendo debatido
na Subcomissão Mista - Sistema de Trens Urbanos,
da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul,
na qual a Prefeitura apresentou, em agosto de 2003,
os seus estudos e propostas.
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