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  Porto Alegre, 8 de Fevereiro de 2012 



Edição N° 26
Outubro 2009




José Fogaça
"Nosso compromisso é com o serviço público de qualidade"


Falando ao JA, o prefeito eleito faz questão de registrar que o mandato da atual administração se encerra apenas em 31 de dezembro e precisa ser respeitado. Até lá, o trabalho é de coleta e análise de dados. A partir do momento em que se completar o diagnóstico, Fogaça se considera apto a falar sobre qualquer tema que diga respeito à Prefeitura.


JA - A Astec adota como bandeira a luta pela valorização profissional, buscando a excelência do serviço prestado à população. Quais compromissos a sua administração assume quanto a essa relação?

Resposta
- A história da prefeitura de Porto Alegre sempre foi a de ter
funcionários públicos qualificados. Durante a campanha eleitoral, tivemos registros de pessoas que chegaram a pagar do próprio bolso para atingir altos níveis de qualificação dentro da carreira pública. Na prática, porém, foram excluídas por causa do problema ideológico ou porque ocuparam funções importantes em governos anteriores. Essa não é a melhor prática. O funcionário profissional serve aos governos de maneira autônoma e independente e serve com a consciência de que ele está prestando um serviço à comunidade, ao cidadão. Ele é importante porque tem a memória da administração, da cidade. Porto Alegre precisa ser reconhecida como uma capital com padrões de gestão e iniciativas administrativas de excelência.

JA - A atual administração pôs a continuidade do sistema de previdência em risco por atrasar os repasses da taxa de administração e sacar contra as reservas do Funprev. Qual a posição do seu governo sobre a previdência pública em geral e, em particular, que compromissos assume quanto ao Previmpa?

Resposta - Nosso compromisso em relação ao Previmpa é o de cumprir com as obrigações da Prefeitura estabelecidas pela legislação. Temos um grupo de pessoas dedicado ao estudo técnico do sistema e recebendo informações econômico-financeiras do órgão. É preciso lembrar que o sistema previdenciário brasileiro recentemente passou por uma reforma, na qual foi mantido o regime de previdência pública para os servidores, com a possibilidade de complementação pela previdência privada. Nossa posição é a de respeitar esses princípios.

JA - A Constituição Federal garante correção, no mínimo, anual a todos os trabalhadores. Os salários dos municipários permanecem congelados desde maio de 2003. Quais serão os passos da sua administração nessa área?

Resposta - A bimestralidade é um direito dos funcionários, assim como a
reposição das perdas salariais, asseguradas em lei. A atual
administração alega que a falta de reajuste do funcionalismo municipal
decorre do fato de os gastos com pessoal terem atingido o limite da Lei de Responsabilidade Fiscal. A partir do diagnóstico, vamos definir e detalhar nossos projetos e políticas, sempre respeitando os compromissos assumidos durante a campanha. Vamos valorizar o servidor e atender as demandas por serviços públicos de qualidade das parcelas mais pobres da população. Para isso é necessário o equilíbrio das contas públicas e o respeito à Lei de Responsabilidade Fiscal.

JA - Crescimento, mais renda e oportunidades de emprego para todos é um desafio para os governos. Que projetos existem para enfrentar esta realidade?

Resposta - O desenvolvimento da cidade e a geração de emprego e renda são duas das nossas prioridades. Nesse sentido, está entre os nossos compromissos, por exemplo, a criação da Agência de Desenvolvimento e Emprego Local, que será responsável pela análise de novas oportunidades de negócios para a cidade. Planejamos, também o apoio às empresas de base tecnológica, com políticas fiscais que lhe permitam crescer e se tornarem competitivas; o incentivo às atividades turísticas que geram mais empregos; o estímulo à construção civil, com a desburocratização dos procedimentos de análise dos projetos construtivos e a transparência nas negociações de projetos de elevado impacto urbanístico e ambiental; e a regulamentação dos instrumentos previstos no Estatuto das Cidades, principalmente os que dizem respeito à outorga onerosa do direito de construir e às operações urbanas consorciadas, como forma de promover a construção de casas populares.

JA - A Astec realizou recentemente o seminário "Cidades: O Desafio do Novo Milênio", visando discutir a viabilidade políticas públicas baseadas no desenvolvimento sustentável. Qual a sua posição sobre esse foco e como Porto Alegre poderá sair da letargia instaurada nos últimos anos?

Resposta - Vamos plantar as sementes para que Porto Alegre passe a ser uma cidade empreendedora. Dentro da lei, com respeito ao meio ambiente e a todas as regras que dizem respeito à manutenção da qualidade de vida, a cidade vai buscar investimentos. A Capital é hoje uma cidade que tem uma vocação de serviços e precisa de empresas que exijam mão-de-obra de medianamente qualificada para cima. Não é uma cidade que oferece empregos para mão-de-obra não-qualificada, e é por isso que se tem que incentivar também setores produtivos capazes de ocupar trabalhadores que ainda não têm essa qualificação. Isso também passa pela implantação de uma política tributária seletiva, progressiva e temporária. Paralelamente, a cidade deve fazer investimento maciço em educação e reduzir dramaticamente os índices de desemprego. O ciclo completo não está nas mãos do governo municipal, mas ele pode fazer sua parte.

JA - Qual o papel do profissional do serviço público na construção da cidade deste próximo milênio?

Resposta - Essa nova lógica de atuação implica na necessidade de um novo modelo de gestão, e a conseqüente qualificação e capacitação do servidor, que será agente de uma administração com missões, objetivos, metas e indicadores. Queremos fazer mais com menos, dar eficiência ao que existe, garantindo mais produtividade. Além disso, queremos implantar um sistema no qual seja possível cruzar os setores da administração com programas que utilizem cada uma das áreas naquilo que elas podem oferecer para os objetivos de cada projeto. Mais uma vez, o servidor será um parceiro importantíssimo. E, lógico, para tanto, precisará estar bem treinado e motivado.

JA - A cidade de Porto Alegre se caracteriza pelas frentes de água
proporcionadas pelo lago Guaíba. Entretanto, pouco foi feito com o objetivo de explorar o seu potencial. Qual a sua visão sobre o aproveitamento da orla como potencializador de atividades econômicas e de lazer?


Resposta - Muito provavelmente no fim da primeira quinzena de dezembro já teremos pelo menos parte da equipe responsável por esta área nomeada e, certamente, eles estarão à disposição da Astec para detalhar nossas propostas. O que posso adiantar é que, em relação à urbanização da orla, é nosso compromisso elaborar uma proposta urbanística que busque a ocupação ordenada de todo o litoral de Porto Alegre que hoje está sem funcionalidade. É preciso, ainda, pensar essa área em conjunto com as estratégias de desenvolvimento do turismo da Capital. As atividades turísticas acabam por trazer melhorias na infra-estrutura da cidade, na oferta de novos serviços culturais e de entretenimento, não só para os turistas, mas para toda a população. O desenvolvimento do potencial da orla do Lago Guaíba dever ser feito de forma a se respeitar o meio-ambiente. E lembro que também está entre as nossas prioridades o tratamento dos esgotos para a recuperação do Guaíba. Nessa questão já existe um projeto em andamento, o Programa Integrado Sócio-ambiental, que vai permitir que se estendam os atuais 23% de esgoto tratado a 77%. Essa ampliação ocorrerá à medida que toda a área central passe a ter seus rejeitos domésticos tratados.


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Edição N° 14
Dezembro 2004


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