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  Porto Alegre, 8 de Fevereiro de 2012 



Edição N° 26
Outubro 2009




Editorial
Por que a alternância


A Astec é uma entidade organizada de e por trabalhadores. Tem caráter apartidário e sua ideologia é a defesa dos interesses de seus associados, usando a técnica a serviço do todo da sociedade. Consolidou-se, ao longo dos seus dez anos de existência, pela busca de condições dignas de trabalho e, em especial, no decorrer das últimas gestões, tem defendido a valorização profissional em prol da qualidade do serviço público - um direito da sociedade. Foi sempre em nome dessa bandeira que a Associação posicionou-se nos mais diversos momentos, tanto de reivindicação de direitos, como de incursão pelo campo da responsabilidade sócio-política na participação e organização de eventos em que se discutem políticas públicas.

A forma como se constitui a Astec, esta organização de trabalhadores do serviço público, está comprometida com a democracia (demos = povo; cracia =poder ou governo). Mas, trata-se de uma palavra que pode ter vários sentidos, sendo aplicável, por exemplo, a todos os cidadãos ou apenas aos grupos sociais mais pobres. Incursionando-se pelos meandros da Filosofia, descobrimos,ainda, que o conjunto dos cidadãos da Grécia Antiga, em Atenas, não incluía todos os indivíduos, mas apenas a população adulta masculina. Claro que o conceito evoluiu e foi atravessado por uma concepção de cidadania à qual é desejável que todos os indivíduos tenham acesso. Sejam eles ricos ou pobres, políticos ou técnicos, gerenciadores ou financiadores de quaisquer sistemas. Todos com a mesma valoração e merecendo das demais partes o mesmo nível de respeito. Todos com o mesmo direito a serem ouvidos. Democracia, portanto, é uma palavra que pressupõe alternâncias. Várias: de opiniões (ao respeitar-se ou até acolher-se a palavra dos demais) e de exercício de poder, entre outras.

O desrespeito ao técnico, em nome de um ideológico, e uma gritante realidade, construída em diferentes instâncias, buscando solapar mesmo os direitos alcançados, reforçaram a convicção da categoria municipária de que nada é mais democrático e saudável do que a alternância no poder. O não cumprimento da bimestralidade assegurada em lei e, principalmente, a articulação de projeto que busca pulverizar a previdência pública, tanto em nível nacional, como municipal, tentando constituir uma nova e gorda fatia de mercado para alimentar o apetite de instituições privadas, foram mais fortes que o marketing do discurso da participação popular para democratizar uma parcela mínima do orçamento municipal. É para isso que servem as análises técnicas: para apontar no interesse de quem se constroem discursos sobre dados que, na realidade, não se sustentam. Gastar tempo, forças e verbas publicitárias para discutir onde aplicar menos de 10% dos recursos da Prefeitura é, na prática, responsabilizar uma parte dos cidadãos pelo desatendimento das necessidades do todo, buscando eximir-se do verdadeiro papel de uma administração pública. Da mesma forma, discursar em defesa de um modelo de previdência, enquanto não só não se repassam os recursos devidos, mas ainda se saca contra as reservas que asseguram a manutenção de um sistema construído democraticamente(!) ou, em nível nacional, se tenta estabelecer uma reforma nociva e unilateral, é jogar com a possibilidade de ludibriar quem adquiriu tais direitos e, no mínimo, mereceria o respeito de ser ouvido e ter suas posições consideradas.

Mas isso não aconteceu. Sempre favorável à alternância que reside no seio da democracia, a categoria municipária em geral e os Técnicos de Nível Superior em particular não mereceram maiores satisfações do que a tentativa de construir a seu respeito uma imagem distorcida junto à opinião pública. Tentativa essa que não colou. A necessidade da alternância foi mais visível.

Daqui para a frente, comemorando a democracia, reiteramos nosso lugar de vigilância, nosso papel de entidade organizada de e por trabalhadores, com caráter apartidário e cuja ideologia é a defesa da técnica a serviço do todo da sociedade.



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Edição N° 14
Dezembro 2004

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