

Edição N° 26
Outubro 2009 |
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Editorial
Por que a alternância
A Astec é uma entidade organizada de e por trabalhadores.
Tem caráter apartidário e sua ideologia
é a defesa dos interesses de seus associados, usando
a técnica a serviço do todo da sociedade.
Consolidou-se, ao longo dos seus dez anos de existência,
pela busca de condições dignas de trabalho
e, em especial, no decorrer das últimas gestões,
tem defendido a valorização profissional
em prol da qualidade do serviço público
- um direito da sociedade. Foi sempre em nome dessa bandeira
que a Associação posicionou-se nos mais
diversos momentos, tanto de reivindicação
de direitos, como de incursão pelo campo da responsabilidade
sócio-política na participação
e organização de eventos em que se discutem
políticas públicas.
A forma como se constitui a Astec, esta organização
de trabalhadores do serviço público, está
comprometida com a democracia (demos = povo; cracia =poder
ou governo). Mas, trata-se de uma palavra que pode ter
vários sentidos, sendo aplicável, por exemplo,
a todos os cidadãos ou apenas aos grupos sociais
mais pobres. Incursionando-se pelos meandros da Filosofia,
descobrimos,ainda, que o conjunto dos cidadãos
da Grécia Antiga, em Atenas, não incluía
todos os indivíduos, mas apenas a população
adulta masculina. Claro que o conceito evoluiu e foi atravessado
por uma concepção de cidadania à
qual é desejável que todos os indivíduos
tenham acesso. Sejam eles ricos ou pobres, políticos
ou técnicos, gerenciadores ou financiadores de
quaisquer sistemas. Todos com a mesma valoração
e merecendo das demais partes o mesmo nível de
respeito. Todos com o mesmo direito a serem ouvidos. Democracia,
portanto, é uma palavra que pressupõe alternâncias.
Várias: de opiniões (ao respeitar-se ou
até acolher-se a palavra dos demais) e de exercício
de poder, entre outras.
O desrespeito ao técnico, em nome de um ideológico,
e uma gritante realidade, construída em diferentes
instâncias, buscando solapar mesmo os direitos alcançados,
reforçaram a convicção da categoria
municipária de que nada é mais democrático
e saudável do que a alternância no poder.
O não cumprimento da bimestralidade assegurada
em lei e, principalmente, a articulação
de projeto que busca pulverizar a previdência pública,
tanto em nível nacional, como municipal, tentando
constituir uma nova e gorda fatia de mercado para alimentar
o apetite de instituições privadas, foram
mais fortes que o marketing do discurso da participação
popular para democratizar uma parcela mínima do
orçamento municipal. É para isso que servem
as análises técnicas: para apontar no interesse
de quem se constroem discursos sobre dados que, na realidade,
não se sustentam. Gastar tempo, forças e
verbas publicitárias para discutir onde aplicar
menos de 10% dos recursos da Prefeitura é, na prática,
responsabilizar uma parte dos cidadãos pelo desatendimento
das necessidades do todo, buscando eximir-se do verdadeiro
papel de uma administração pública.
Da mesma forma, discursar em defesa de um modelo de previdência,
enquanto não só não se repassam os
recursos devidos, mas ainda se saca contra as reservas
que asseguram a manutenção de um sistema
construído democraticamente(!) ou, em nível
nacional, se tenta estabelecer uma reforma nociva e unilateral,
é jogar com a possibilidade de ludibriar quem adquiriu
tais direitos e, no mínimo, mereceria o respeito
de ser ouvido e ter suas posições consideradas.
Mas isso não aconteceu. Sempre favorável
à alternância que reside no seio da democracia,
a categoria municipária em geral e os Técnicos
de Nível Superior em particular não mereceram
maiores satisfações do que a tentativa de
construir a seu respeito uma imagem distorcida junto à
opinião pública. Tentativa essa que não
colou. A necessidade da alternância foi mais visível.
Daqui para a frente, comemorando a democracia, reiteramos
nosso lugar de vigilância, nosso papel de entidade
organizada de e por trabalhadores, com caráter
apartidário e cuja ideologia é a defesa
da técnica a serviço do todo da sociedade.
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Edição N° 14
Dezembro 2004 |
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