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  Porto Alegre, 8 de Fevereiro de 2012 



Edição N° 26
Outubro 2009




Luiz Fernando Rigotti - Diretor Geral do Previmpa
"Me oponho a todos os atentados contra a previdência pública"


Sabatinado pela Câmara Municipal, em 15 de fevereiro último, ele obteve aprovação unânime dos cinco parlamentares que o argüiram em sessão pública. Sua nomeação se constituiu em um resultado de grande importância para os municipários em geral e para os técnicos de nível superior em especial, pois, como diretor-geral do Previmpa, o ex-presidente (2001-2002) e ex-vice-presidente (2003-2004) da Astec avança em um processo de anos na busca pela consolidação da previdência municipária pública e sustentável.

Na Prefeitura Municipal de Porto Alegre desde 1977 e nomeado efetivo como engenheiro agrônomo em 1981, um sempre irrequieto Luiz Fernando Rigotti buscou agregar, ainda, outra formação. A graduação em arquitetura deveu-se, segundo ele, ao interesse pelo planejamento urbano e, sobretudo, ao entusiasmo pelo serviço público - sentimento este que o fez recusar convites interessantes da iniciativa privada. A atividade sindical tem sido uma constante ao longo dessa caminhada: Rigotti participou da Ampa - Associação dos Municipários de Porto Alegre -, que deu origem ao Simpa - sindicato que nasceu com o objetivo de representar a classe -, e, mais recentemente, repetiu a dose embrenhando-se no trabalhoso processo de construção e consolidação do Fórum das Entidades dos Servidores Municipais de Porto Alegre.

Em entrevista ao Jornal da Astec, Rigotti fala sobre a participação no governo, a viabilidade da previdência pública sustentável e a construção do Previmpa -uma história que tem ajudado a escrever.

"A luta pela previdência pública recém começa"


JA - O senhor tem 28 anos de atividade como municipário, tendo estado sempre envolvido com a atividade sindical. A partir da sua integração no Governo Fogaça, como o senhor recebe as críticas daqueles que falam em "mudança de lado"? DG - Quem mudou de lado não fui eu. Foi a prefeitura. Eu fui convidado na cota pessoal do prefeito, justamente porque ele conhece a minha posição: sou contrário a todos os atentados contra a previdência pública. O que me convenceu é a perenidade, a valorização da bagagem, com os servidores tomando conta dos projetos a fim de que, se mudar o administrador, o projeto prossiga. Eu não poderia me negar, porque estes são os meus princípios e esta é uma luta que recém começa. Temos que mostrar nossa eficácia administrando com transparência, e o setor público é capaz disso. Hoje o Conselho de Administração do Previmpa é composto por 20 funcionários efetivos. Temos apenas um CC (cargo em comissão) puro. O projeto está completamente diferente do formulado pelo ex-secretário, César Alvarez. Foi a nossa mobilização de servidores que atingiu este resultado, influenciando a Câmara Municipal, a administração anterior, em um movimento no qual muito nos valeu a experiência de gestão do Montepio dos Funcionários do Município de Porto Alegre.

"Nosso objetivo é gerir com transparência,
evitando a corrupção, o desvio e a mal-versação"

JA - Há um movimento latino-americano contra a previdência pública e, simultaneamente, favorável ao crescimento dos planos privados. Na sua avaliação, foi o engajamento da categoria que colocou o Previmpa nessa posição de contramão de tendência?

DG - Claro que nem todos os municipários participaram e a probabilidade de se crescer nessa luta avança justamente com a participação. Mas, uma parcela significativa esteve engajada. Ainda estamos em transição, e a entrada de um servidor efetivo na direção-geral é mais um passo no caminho que vem sendo trilhado pelo Conselho de Administração. A minha experiência é para contribuir com a administração do sistema, até atendermos bem os colegas aposentados e os pensionistas. Essa capacidade de integração e mobilização começou a se articular quando estava sendo discutida a alíquota previdenciária na Câmara Municipal. Nossa estratégia era mostrar que, mesmo com a alíquota menor e correta, se poderia gerir o sistema. Por isso, nossa insistência, na época, em divulgar o cálculo atuarial - instrumento capaz de comprovar essa tese.

JA - Hoje essa estratégia mudou?

DG -Sim. Agora, nosso objetivo é gerir com transparência, evitando a corrupção, o desvio e a mal-versação. As ferramentas não estão disponíveis só para a iniciativa privada. Elas também podem ser adaptadas para o setor público. Nós servidores somos muito criativos, estamos habituados a trabalhar na adversidade, com poucos ou nenhum recurso.

JA - Quais são, na prática, as alterações de gestão já implementadas pela sua administração?

DG - Temos pelo menos duas novidades importantes buscando a modernização administrativa. A primeira é o cadastramento de todos os servidores da ativa, aposentados e pensionistas. Precisamos saber quem somos. E a segunda, que traz um grande ganho de eficiência, é a aquisição de um software previdenciário, licitado em 2004. Isso vai encurtar o prazo de concessão de benefícios, que atualmente é de um ano e meio, para 20 a 30 dias. A expectativa é de que o equipamento entre em operação a partir de setembro próximo.

"Por enquanto, a nossa vantagem é que não
há uma posição contrária consolidada"

JA - No governo passado, o senhor enfrentou vários embates com a administração por conta da falta de repasse da taxa de administração e do uso dos recursos do Comprev. Como fica esta situação no Governo Fogaça?

DG - A questão está sendo discutida dentro do governo. A administração anterior havia perdido o controle das contas e passou a adotar medidas emergenciais com tal freqüência que não só não solucionavam a crise como criavam novos problemas. Nossa posição é de que é necessário implementar-se uma cultura previdenciária. Esse é um campo em que não se podem buscar resultados imediatos; é sempre preciso esperar o tempo certo, e o que há de positivo é que penso que estamos plantando em solo fértil, já que o prefeito apóia nossa proposta, porque também entende que a prefeitura tem prejuízo com a falta de eficiência. Ainda se engatinha - nem o próprio Ministério da Previdência tem clareza de como usar os recursos (como as taxas de administração, os fundos etc. ). Agora é importante ressaltar que tudo depende da mobilização dos municipários:se não convencermos a administração da importância dessas medidas, não teremos os recursos. Por enquanto, a nossa vantagem é que não há uma posição contrária consolidada.


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Edição N° 15
Abril 2005


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