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  Porto Alegre, 8 de Fevereiro de 2012 



Edição N° 26
Outubro 2009




Artigo Técnico
Eficiência Energética: um exemplo de bons resultados - Parte I

Ricardo Zucarelli Pulvirenti
Engenheiro


Quando falamos de Eficiência Energética, normalmente nos lembramos das campanhas que foram feitas pelo Governo Federal e Estadual entre 2001 e 2002, das Ordens de Serviço 08 e 10, de maio e julho de 2001, adotadas pela Prefeitura para fazer frente à possibilidade de racionamento energético e da implantação das CIGEs ( Comissões Internas de Gerenciamento de Energia) em praticamente todos os Órgãos da Administração Municipal. Os colegas NS devem se lembrar das medidas implantadas dentro da ótica da economia de energia e do 1o Seminário Interno de Eficiência Energética da Prefeitura de Porto Alegre, em novembro de 2001. Quantos projetos de excelente nível técnico saíram dali! Posso citar dezenas, mas considero que alguns se destacaram e, sem desmerecer os demais, que foram muito bons, cito estes:

- Criação de um Cadastro Informatizado Único com a lista de Materiais à disposição para troca entre as secretarias;
- Centralização da Coleta e Remessa para descarte das Lâmpadas Fluorescentes;
- Criação de Grupo Permanente de Eficiência Energética fazendo Elo entre as CIGEs e Órgãos de todas as esferas de governo para subsidiar técnica e financeiramente projetos nesta área ;
- Centralização das Lavanderias dos Hospitais (HPS, HMIPV, PAM3, PAM4 etc.) em único local, com tratamento de resíduos da água pelo DMAE (projeto coordenado pela Equipe de Engenharia do HPS), com retorno estimado em menos de 5 anos;
- Projetos de Co-Geração usando gás, principalmente para uso nos horários de maior custo de energia nos Hospitais e nos maiores prédios administrativos da Prefeitura;
- Aproveitamento do biogás como combustível para geradores de energia elétrica nas estações de tratamento de esgoto, projeto da Divisão de Planejamento da Superintendência de Desenvolvimento do DMAE;
- Substituições dos antigos motores elétricos por sistemas eficientes nas casas de bombas do DEP.

Nós técnicos ficamos entusiasmados com o trabalho que teríamos pela frente, mas quais destes projetos realmente foram em frente? Quais tiveram o apoio de seus diretores e secretários? Quais tiveram a divulgação merecida?

Ao assumir a Prefeitura, o sr. João Verle não deu importância ao assunto e houve um esfriamento nos programas desenvolvidos. A Coordenação Geral deste assunto na Prefeitura, assim como boa parte das decisões, ficou a cargo de CCs que além de não estimular a continuidade destes projetos, não repassavam a informação dos cursos e seminários dos quais participavam. Só como exemplo, nessa época, a SMA gastou cerca de R$ 400.000,00 a fundo perdido para reforma nas instalações elétricas no Edifício Montaury, porque a Assessoria de Projetos, que ficou de cuidar do assunto, perdeu o prazo para apresentação dos documentos.

Mas, como nem tudo que é ruim é eterno, em julho de 2003, através de um convênio a custo zero entre a Prefeitura e a PUCRS, Eletrobrás, FIERGS/CIERGS, colegas municipários (e muitos CCs) fizeram o Curso de Formação de Multiplicadores em Eficiência Energética. Aproveitando o ensejo e contrariando determinação da assessoria de Projetos da SMA , que queria limitar a inscrição aos seus "escolhidos", houve a participação da Equipe de Manutenção Predial da SMA no curso. Ao final do curso, criamos um Grupo para fazer o trabalho de avaliação final, que consistia no Pré-diagnóstico energético. Junto com a Engenheira Lorenza Alberici, da SMAM, do colega eletrotécnico Raimundo Ito, do Hospital Presidente Vargas, do Prof. Ênio, da Dataworking Informática, foi feito levantamento das condições gerais do prédio do Hospital e resolvemos ir além do pré-diagnóstico. Daí resultou um trabalho que deu Resultados para o Hospital e, conseqüentemente, para a Prefeitura. Este trabalho podemos dizer que continua gerando bons resultados, porque teve a garra de Técnicos que abraçaram uma causa em prol da Prefeitura e o apoio direto da Direção do Hospital. Este Projeto serviu de referência de Eficiência Energética na FIERGS, cuja apresentação foi realizada pelo colega da SMS, Raimundo Ito, em 11 de janeiro de 2005. Abaixo, uma síntese do mesmo:



EFICIENTIZAÇÃO ENERGÉTICA - HOSPITAL MATERNO INFANTIL PRESIDENTE VARGAS

Objetivos Básicos do Projeto:
Ter confiabilidade no fornecimento e competitividade de preços no recebimento de energia de parte dos concessionários.
Maximizar o processo de transformação energética dos insumos primários em vetores energéticos usuais: calor, vapor, ar comprimido, eletricidade etc..
Utilizar os vetores energéticos de forma eficiente, racional e econômica.
Princípios Básicos:
Comprometimento da direção do Hospital.
Existência de uma equipe encarregada de gerenciar o uso e o consumo de energia;
Estruturação e treinamento da CIGE/HMIPV.

Etapas Do Diagnóstico Energético/HMIPV
1. Levantamento das instalações físicas:
Os componentes do grupo de trabalho visitaram as instalações do Hospital em 04.08.03.
O levantamento das instalações físicas foi realizado em um período compreendido entre os dias 06/08 e 19/08, perfazendo um total de 12 horas entre levantamentos e cálculos. Vale ressaltar aqui que muitos dos dados utilizados neste pré-diagnóstico já haviam sido levantados pelos setores de Engenharia e Segurança de Trabalho do Hospital.
A coleta de dados consubstancia os métodos científicos de análise na identificação da causa-raiz de problemas.

2. Levantamento do funcionamento operacional da empresa:
Na data de 04.08.03, foram entrevistados a Diretora do Hospital e o Coordenador da Linha de Apoio Administrativo.

3. Levantamento das faturas de energia elétrica da empresa:
Foram obtidas através da concessionária CEEE, memória de massa dos últimos seis meses, a fim de que pudessem ser estudados os comportamentos das cargas consumidas, demanda máxima utilizada, curvas de carga e estudo de tarifamento do Hospital.

4. Levantamento das curvas potência elétrica versus tempo
Feito levantamento de campo pelo pessoal da manutenção do Hospital e gerados os gráficos que subsidiaram a análise.

5. Levantamento da matriz de insumos energéticos:
O foco maior foi no uso da energia elétrica, mas também de óleo diesel, combustível empregado nas caldeiras do Hospital.

6. Levantamento e interatividade dos processos e dos serviços:
Foram eleitas as quatro áreas críticas para análise de diagnóstico energético:
Análise tarifária;
Iluminação;
Elevadores;
Climatização.

7. Escolha e avaliação das tecnologias de alta eficiência energética:
Iluminação: proposta colocação de luminárias de alta eficiência com defletores de alumínio com pureza superior a 99%; lâmpadas eficientes fluorescentes tri-fósforo de 32W; reatores com fator de potência 0,95 ou superior, de preferência eletromagnéticos para que não interfiram no funcionamento dos equipamentos de precisão utilizados no diagnóstico médico, um problema já ocorrido com reatores eletrônicos anteriormente testados.
Elevadores: a tecnologia mais indicada foi a de sistema de variação de freqüência e voltagem (vvvf), que varia o consumo conforme a velocidade de movimentação e a carga, bem como a introdução de sistemas automáticos de atendimento, onde apenas um elevador atende o chamado dos andares até completar sua lotação e somente após isto é que o outro é acionado. Em um outro prédio da PMPA, cujo projeto básico foi elaborado pela minha Equipe, a economia de energia elétrica nos sistemas de elevadores, que era prevista em 42 %, chegou a 56 %.
Aparelhos de ar condicionado: devido às condições do prédio do HPV, o foco foram os aparelhos de ar condicionado do tipo janela. Uma solução rápida e de menor custo no mercado para a sua substituição são os aparelhos do tipo split que consomem, em média, cerca de 20% menos de energia elétrica, além de poderem ser conectados a sensores de presença e automatização centralizada.



RESULTADOS OBTIDOS:

Efetuamos uma análise gráfica dos tempos de operação diário e semanal dos processos de serviços complementares (direção, administração, lavanderia, cozinha, casa de máquinas e motores). Após análise física das instalações, correlacionamos aos usos finais de energia, segmentando os processos e os usos finais para avaliar os potenciais de perdas.



CONCLUSÕES DA ANÁLISE TARIFÁRIA

1. Reduções de consumo nos horários de ponta:
Antecipar horário de funcionamento da lavanderia das 19h para às 18h;
Desligar 50% dos elevadores;
Desligar aparelhos de ar condicionado tipo janela e centrais após às 18h;

2. Verificação que a demanda contratada de 560 kw está de acordo com as necessidades do hospital, pois se verificou que no período úmido, algumas vezes, atinge os 10% a mais permitidos pela concessionária.

3. A tarifa Horo-sazonal Verde é mais vantajosa do que a tarifa Horo-sazonal Azul.

4. No período de seco, de maio a novembro, pode-se reduzir o contrato da demanda atual de 560 kw para 460 kw, baixando os custos em R$ 1.252,00 mensais, o que corresponde a uma economia de 18% neste período.

5. No período úmido (de dezembro a abril), verificou-se que o Fator de Potência esteve abaixo do 0,92 permitidos pela concessionária, ocasionado principalmente pelo uso dos aparelhos de ar condicionados tipo janela.



ILUMINAÇÃO
  EXISTENTE PROPOSTO
Nº Luminárias 2348 2348
Eficiência: 59% 72 - 80%
Potência (W): 2X 40 2X 32
Perda (W) : 27 7
Potência Total 251,182 kW 162,708 kW
Total de economia: 88,474 kW
Economia no Horário Fora de Ponta: R$ 4.383,94
Economia Total Mensal: R$ 10.344,92
Tempo de Retorno: 18 meses
Economia no Horário de Ponta: R$ 5.960,98
Custo Para Implantação: R$ 189.953,00



ELEVADORES

Total de Elevadores: 7, sendo 4 de Corrente Contínua e 3 de Corrente Alternada
Horários de Pico: das 6h45min às 7h30min e das 12h45min às 13h30min; nos horários administrativos, às 8h30min e 18h, e nos horários de visita aos pacientes, das 12h às 13h. O atendimento passa a ser esporádico das 19h às 7h, visando mais o pessoal nas U.T.I.s, nas emergências e de apoio em plantão.
Os elevadores alimentados por geradores de CC permanecem consumindo energia ininterruptamente, com ou sem carga, no mínimo, consumindo a energia desses geradores.
Com a substituição por sistema de variação de freqüência e voltagem conforme a velocidade de movimentação e a carga transportada, obtiveram-se cálculos estimativos das empresas SUR e ATLAS, apontando um mínimo de 42% na redução no consumo de energia com a simples troca dos componentes do acionamento, principalmente na retirada dos alimentadores de CC, mesmo sem considerar a economia de energia nos quadros de comandos com relés. Considerando o sistema automático de atendimento, onde apenas um elevador atenderá o chamado dos andares até sua lotação e só após outro será enviado, prevê-se economia adicional de 20% da energia, a exemplo do que ocorreu na troca dos 4 elevadores do Edifício Montaury.
Percentual de Economia (o mais conservador possível): 42%
Economia Total Mensal: R$ 7.095,44
Custo Para Implantação: R$ 638.800,00
Tempo de Retorno: 90 meses



AR CONDICIONADO


O foco foram os aparelhos de ar condicionado do tipo janela. Os aparelhos de grande porte tipo mini-centrais foram remodelados nos últimos dois anos e outros novos foram instalados, de acordo com estudos de empresas especializadas que projetaram o conforto térmico de acordo com a especificidade dos ambientes. Nos levantamentos, demonstrou-se que boa parte dos ambientes estavam com cargas térmicas mal distribuídas . Assim, sem aumentar a quantidade de aparelhos, conseguimos reduzir o volume de BTUs necessários aos ambientes, contemplando inclusive aqueles que não tinham refrigeração ou eram mal dimensionados.

Total de aparelhos: 103
Carga térmica atual: 1.999.500
Carga em kWh Atual: 230,57
Economia em kWh: 91,93
Economia Total Mensal: R$ 10.076,52
Tempo de Retorno: 28 meses
Carga Térmica Proposta: 1.418.000
Carga em kWh Proposto: 138,64
Percentual de Economia por Mês: 18%
Custo Para Implantação: R$ 255.060,00



GRUPO GERADOR

Ter confiabilidade no fornecimento em situações emergenciais, duplicação da capacidade de 350 kVA para 2 x 450 kVA e seu uso para horários de ponta.



PROJETOS APROVADOS PELO MINISTÉRIO DA SAÚDE EM 2003

Eficiência Energética e Modernização de Elevadores: Total R$ 638.800,00
Eficiência Energética em Climatização: Total R$ 255.060,00
Substituição de Grupo Gerador com Duplicação de Capacidade de Geração de Energia Elétrica em Situações Emergenciais: R$ 449.211,00
TOTAL APROVADO: R$ 1.343.011,00
SENDO R$ 1.119.175,83 PELO MS E R$ 223.835,17 DE CONTRAPARTIDA PMPA

O Projeto de Eficiência em Iluminação foi aprovado pela CEEE com verbas do Procel em fevereiro de 2005, após a apresentação na FIERGS.



SITUAÇÃO ATUAL DOS PROJETOS


Elevadores: em fase de substituição de 04 elevadores
Grupo Gerador: término do processo licitatório
Climatização: em processo de licitação
Iluminação: projeto em fase de detalhamento para orçamento e licitação.



OUTRAS MEDIDAS ADMINISTRATIVAS (já adotadas e sem custo)

Ligar os aparelhos de ar condicionado uma hora após o início do expediente e desligá-los uma hora antes do seu término. A redução de duas horas por dia no uso do ar condicionado, para uma jornada de trabalho de 8 horas, representa uma economia de 25 % no consumo de energia elétrica.
Na área administrativa, nas salas onde a orientação solar o permitir, redução no número de luminárias acesas durante 4 horas por dia. Esta medida corresponde a uma economia de 5 % no consumo de energia elétrica.

Fachada do Hospital

Motor antigo de um dos elevadores

Gerador de Corrente contínua antigo do elevador



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Edição N° 15
Abril 2005

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