Editorial
Valorização Profissional???
Valorização - Capítulo I
Este ano de 2005 encerra-se para os servidores municipais
como um ano de perdas de direitos adquiridos, marcado
pelas contradições da atual Administração.
Os discursos de campanha colocando como prioridade de
governo a valorização profissional dos quadros
do município, a manutenção da Lei
da Bimestralidade e a necessidade de diminuir o número
e a influência dos Cargos em Comissão para
que não se perdesse a História do serviço
público já mudaram de tom! Bimestralidade,
aliás, que o prefeito Fogaça, ao iniciar
o governo, salientou em várias entrevistas
como um direito adquirido do funcionalismo e que seria
paga quando houvesse disponibilidade de recursos. Mas,
o que os funcionários municipais estão vendo
é a falta de coerência entre discurso e prática!
Valorização - Capítulo II
No último dia 17 de novembro consolidou-se a
maior perda já registrada dos direitos adquiridos
pelos funcionários municipais de Porto Alegre,
quando a Câmara Municipal aprovou Projeto
de Lei do Executivo por 24 votos a nove. A Lei da Bimestralidade,
LC 186/88 foi revogada, além de o governo não
reconhecer as perdas acumuladas entre maio de 2003 e
abril de 2005.
A Astec, em conjunto com o Fórum de Entidades
referendado por todas as Assembléias de Municipários
realizadas em 2005, manteve a Pauta de Reivindicações,
mas flexibilizou as negociações com vistas
a um reajuste em caráter emergencial. Entretanto,
como não obteve sucesso em implantar uma política
de reajustes com base no aumento da arrecadação
e na diminuição dos gastos em pessoal,
o governo enviou o Projeto de Lei, desrespeitando todas
as decisões das Assembléias Gerais, mesmo
quando a despesa com pessoal da Prefeitura de Porto
Alegre corresponde a 48,07% das receitas do município
- conforme Relatório de Gestão publicado
em 30 de setembro último -, o que permitiria
dar um reajuste de 6,71% sem bater no limite prudencial
da Lei de Responsabilidade Fiscal.
Valorização - Capítulo III
Outra situação que vem em prejuízo
dos servidores é o Projeto de Lei Complementar
do Executivo 005/05. Com o referido Projeto de Lei complementar,
o governo torna atrativo o exercício de cargo
em comissão por parte daquele que já detém
cargo efetivo em outra esfera de governo e se encontra
cedido para o Município, criando uma nova forma
de pagamento, ao invés de simplesmente aumentar
o valor das gratificações de funções.
Com isso, o governo garante uma boa remuneração
a tal servidor que goza de confiança política.
O servidor municipal que gozar de confiança técnica
continuará recebendo valor irrisório pelo
exercício de encargo de chefia, direção
ou assessoramento.
Esta é uma tentativa do governo de criar subterfúgios
legais para o descumprimento do Art. 37 da Constituição
Federal, onde está presente o preceito da moralidade
administrativa em todos os poderes, de todas as esferas.
Valorização - Capítulo IV
O Executivo faz um discurso de valorização
do servidor, mas, por outro lado, desmonta o serviço
público. Em diversas secretarias e autarquias,
os serviços estão sendo preparados para
a terceirização - situação
que já está ocorrendo no DMLU.
O cidadão, que já paga impostos por estes
serviços, encontrará funcionários
desmotivados, com estrutura de trabalho inadequada.
Valorização - Capítulo V
A administração atual aumentou em 20,7%
o número de CCs, de dezembro de 2004 a setembro
de 2005, majorando proporcionalmente o gasto em vales-refeição
e transporte, sem falar nas diárias de viagens,
passagens etc. Isto contribui para o "inchaço"
da folha de pagamentos, mas, por conveniência
política, não houve qualquer ação
moralizadora para sua diminuição, principalmente
reduzindo o número de CCs desqualificados
em funções de chefia.
Valorização - Capítulo VI
Na Prefeitura são pagos 13 salários por
ano, diferentemente dos 14 ou 15 que predominam em empresas
do mesmo porte. Os servidores municipais não
têm plano de saúde; não têm
cesta básica, nem mensalidades escolares e auxílio-creche,
além de enfrentar dificuldades de acesso ao aprimoramento
profissional. A carência de recursos disponíveis,
a ineficiência e o baixo rendimento de alguns
serviços devem ser objeto de estudo pela administração,
contemplando a adoção de métodos
modernos, atualizando equipamentos, criando ambientes
compatíveis com o trabalho a ser desenvolvido,
treinando e motivando pessoal.
Valorização - Capítulo VII
Cabe lembrar que, desde a Constituição
de 1988, várias atribuições que
eram de competência de outras esferas de governo
foram repassadas aos municípios sem que houvesse
transferência de recursos - principalmente da
União - na mesma proporção. Estes
serviços - principalmente Educação
e Saúde - exigiram por parte dos municípios
o aumento do número de servidores. O processo
de redemocratização fez com que o cidadão
passasse exigir mais serviços do setor público.
A cada direito instituído, como a Lei de Acessibilidade,
Estatuto do Idoso, Conselho Tutelar, Estatuto da Criança
e do Adolescente, é necessário implementar
novas políticas públicas que dêem
suporte a estas leis. Assim, foram criadas a Secretaria
de Acessibilidade, a FASC, os Conselhos de Saúde,
da Criança e do Adolescente.
A responsabilidade pelo aumento da folha de pessoal
não é do servidor, mas dos próprios
políticos. Quando aprovada a Constituição
Cidadã, eles não tinham noção
do custo de garantir a igualdade a todos os cidadãos?
Ter acesso a serviços de qualidade, visando o
exercício pleno da cidadania, tem seu custo financeiro!
Os serviços municipais são realizados
por servidores que precisam estar bem preparados e motivados.
É graças ao trabalho do funcionário
público que a população consegue
exercer sua cidadania, recebendo serviços de
qualidade, mesmo quando as condições de
trabalho estão longe das ideais.
As administrações têm de fazer suas
escolhas entre investir na atividade-fim (prestação
de serviços) ou na atividade-meio (publicidade,
por exemplo), pois o cumprimento pleno do acesso de
todos os serviços à toda população
tem um custo.
Valorização - Capítulo VIII
Apesar da situação desfavorável,
onde cada governo que entra permite o desaparelhamento
e a diminuição das estruturas, com as
manobras políticas para privatizar serviços
essenciais à população, convivendo
com número excessivo de leis que burocratizam
o atendimento à população, com
as críticas que vêm recebendo, injustamente,
ao longo dos anos, com a criação de leis
para restringir ou retirar direitos adquiridos do funcionalismo.
Mesmo assim, lá estamos nós, funcionários
públicos, operando a máquina administrativa
e dando continuidade aos serviços prestados aos
cidadãos.
Por tudo isto, colega, é com grande satisfação
que nós da Diretoria da Astec nos congratulamos
com todos vocês e dizemos, com orgulho, que fazemos
parte desta comunidade ativa, que não se intimida
com as adversidades.
|