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  Porto Alegre, 9 de Fevereiro de 2012 



Edição N° 26
Outubro 2009




Editorial
Traduzir-se


Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.

Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.

Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.

Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.

Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.

Traduzir-se uma parte
na outra parte
- que é uma questão
de vida ou morte -
será arte?


Ferreira Gullar

Estamos em plena campanha salarial na Prefeitura e a Astec cá está para ser vetor desse processo, que só se realiza por causa de você! Todos os nossos esforços e sentidos se dirigem ao dissídio coletivo. É preciso estar atento e forte para defender a dignidade da categoria, assegurando o cumprimento da Pauta Unificada estabelecida em Assembléia Geral, que norteia nossas negociações com o Governo.

Em um sentido mais amplo, porém, nossa preocupação é com a qualidade do serviço público, que depende de uma seqüência de fatores imbricados, começando pela qualidade de vida do servidor que o realiza. E, para essa qualidade de vida, são imprescindíveis boas condições de saúde, que podem advir tanto do ambiente familiar, como do ambiente de trabalho.

A saúde do trabalhador e um ambiente de trabalho saudável são valiosos bens individuais, comunitários e dos países que, contudo, implicam desafios de diversas ordens, especialmente a partir do cenário macroeconômico, que impõe diretrizes e prioridades do mercado.

No caso brasileiro, estima-se que, em duas décadas, 25% da população estará acima dos 60 anos. Essa importante parcela social vai representar a chamada “massa dos aposentados”, em uma proporção que vai impactar o sistema previdenciário tal como se apresenta hoje e provocar o desinteresse da sua assistência pelos planos de saúde privados. Aí se insere também o envelhecimento do servidor público municipal, hoje com idade média de 45 anos.

Ao longo do tempo, os gestores da Prefeitura não têm cuidado adequadamente da saúde dos seus funcionários. O alto índice de absentismo e de aposentadorias por invalidez indica a necessidade de que se implante um controle preventivo das doenças, controle esse que passa por uma medicina do trabalho atuante e um plano de saúde para todos, com a participação da Prefeitura e do funcionário, que seja aberto, sem carências e de livre escolha do servidor. O fundamental é que fique claro que, mais do que nunca, é preciso priorizar a saúde em detrimento da doença!

Há um novo enfoque e novas práticas para lidar com a relação trabalho-saúde, consubstanciados sob a denominação de Saúde do Trabalhador. Mesmo assim, a cada dia ficam mais evidentes as proporções da empreitada que se apresenta nesse campo marcado por avanços, limitações e, nesse momento, por muitos impasses. Enfrentá-los é uma tarefa coletiva, que demanda empenho recíproco no estabelecimento de pactos entre a PMPA e, particularmente, as instâncias organizativas, como as associações, Sindicato, enfim, todos os trabalhadores municipais. Essa tarefa faz parte do compromisso democrático de viabilizar um desenvolvimento sustentável, fundado no resgate da dívida social e na revitalização e revalorização do caráter público para assegurar a efetividade dos direitos de cidadania.

E, nesse cenário, quem somos nós, afinal? Técnicos que decidem e gerenciam a construção do espaço geográfico de uma das capitais mais importantes do país? Servidores públicos municipais, às voltas com demandas de várias ordens, como o trabalho a ser realizado e as mobilizações necessárias à tentativa de manter alguma dignidade no exercício profissional diário? Trabalhadores com idade média de 45 anos, cheios de sintomatologias que antes não se manifestavam na saúde, e em véspera de uma aposentadoria que se nos afigura como um bálsamo de um lado e uma incógnita de outro? Talvez sejamos pais e mães de família? Quem sabe, filhos queridos que ora se transformam em pais dos próprios pais? Ou, muito provavelmente, sejamos muitos desses e, ainda, alguns outros.

No cotidiano, é raro sermos reconhecidos com essa visão holística, como seres integrais, em todas as nossas facetas que unicamente quando combinadas nos fazem o que somos: seres humanos, sempre buscando dar conta da arte de “traduzir uma parte na outra parte.” E, para que esta seja mais uma questão de vida do que de morte, é que esta edição do Jornal da Astec está focada na saúde, transitando da área sindical à medicina. É uma publicação em homenagem à vida de todos nós, com nossas mazelas e conquistas, mas, sobretudo, escrita por nós mesmos.
Entretanto, para que frutifique, é necessário que cada um faça a sua parte no todo. Somos um e somos todos. Fragmentados inexistimos. Vamos nos reconhecer, nos autoconhecer e seguir fazendo, com consciência, nossa própria história!



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Edição N° 21
Maio 2007

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