Artigo Técnico
Demências
Alberto Luiz Grigoli e Maia
Médico Neurologista
Coordenador de Política do Idoso/ASSEPLA/SMS
As demências se caracterizam pela destruição progressiva do córtex cerebral, atingindo mais freqüentemente as pessoas idosas. Entretanto, é importante ressaltar que, embora o risco de desenvolvimento da doença aumente com a idade, o envelhecimento não pode ser encarado como sinônimo de perda de capacidades intelectuais.
Existem vários tipos de demências sendo que as duas principais formas são a Doença de Alzheimer e a Demência Vascular. No primeiro caso, um processo inflamatório desencadeado por algum agente ambiental – até hoje ainda não identificado – leva a uma destruição irreversível dos neurônios. A deterioração do indivíduo ocorre de forma lenta. O paciente normalmente inicia com alteração na memória, mas, paulatinamente vai acumulando outras dificuldades como perturbação da linguagem, agitação, agressividade e insônia, até atingir os estágios finais da doença com total dependência e ausência de vida e relação com o meio ambiente. O tempo total de doença, desde o diagnóstico até o óbito (que sempre ocorre por outras causas), é longo, variando de 6 a 9 anos. Já na Demência Vascular temos os mesmo sintomas cognitivos associados às alterações comportamentais mas neste caso o fenômeno ocorre por dificuldade de irrigação dos tecidos cerebrais em virtude de aterosclerose arterial e, assim como a D. de Alzheimer, também tem característica irreversível. Um aspecto importante é que, neste tipo de demência, existe grande probabilidade de que a evolução seja lentificada através do controle de fatores de risco como hipertensão, diabete, dislipidemia, sedentarismo e tabagismo.
O tratamento do paciente demenciado é voltado para a máxima melhoria da qualidade de vida e envolve uma equipe interdisciplinar composta por vários profissionais como médico, enfermeira, terapeuta ocupacional, fisioterapeuta, nutricionista e fonoaudióloga. Atualmente, é crescente a atenção sobre o cuidador, pois o risco de stress físico e emocional é muito grande devido ao desgaste pela longa duração da doença e pela demanda permanente de esforço advinda de um paciente cada vez mais dependente.
Perda de memória
Por outro lado, ainda que o sintoma principal dessas demências seja a perda de memória, é fundamental lembrar que nem toda a perda de memória em idosos indica a presença de um quadro demencial. Existem várias condições que podem interferir nas funções cognitivas. Na maioria das vezes, a queixa de “perda de memória” está relacionada à outras causas, como alterações emocionais (ansiedade ou depressão) ou doenças orgânicas fora do cérebro (distúrbios da glândula tireóide, deficiências vitamínicas, anemia, infecções, etc). Em algumas situações surgem alterações estruturais do encéfalo que também podem modificar o desempenho cognitivo de uma pessoa. Os exemplos são a hidrocefalia (acúmulo de líquor no interior do cérebro) e os hematomas subdurais (coágulos que se formam lentamente após um traumatismo craniano). Todas estas patologias são chamadas de “demências reversíveis” porque quando precocemente detectadas e tratadas levam à recuperação total ou parcial dos déficits. Elas representam cerca de 10 a 15% dos quadros demenciais e toda a investigação realizada busca identificá-las.
O que fazer?
Se alguma pessoa sente dificuldades com a memória deve primeiramente conversar com seu médico de confiança (clínico geral, médico de família, geriatra, ginecologista) que então avaliará a gravidade dos sintomas e se existe ou não a necessidade de alguma avaliação mais especializada.
Com relação à prevenção, inúmeras pesquisas já demonstraram que, quanto maior a escolaridade formal de uma pessoa (medidas em anos de estudo completos), menor é o risco de que ela desenvolva qualquer tipo de demência. A partir disto, pode-se inferir que a manutenção constante de atividades intelectuais pode ter o mesmo efeito benéfico. A leitura é o melhor exemplo de atividade para prevenir a perda de memória. Da mesma forma, outros estudos já indicaram que o exercício físico e algumas atividades de lazer (como a dança, p. ex.) também parecem ter um efeito protetor e, embora isto ainda não esteja definitivamente comprovado, é inegável que são atividades que SEMPRE ajudam a melhorar a qualidade de vida, prevenindo todas as formas de doenças vasculares incluindo doenças cardiovasculares e os acidentes vasculares cerebrais (AVCs). |