Artigo
A bem do serviço público!
Como funciona a cidade?
Quem sabe responder prontamente a questão é porque viveu de modo a acumular conhecimentos sobre o tema, em especial, conhecimentos gerados através do casamento entre teoria e prática. O suporte teórico é garantido pela formação adequada, enquanto a habilidade prática vem do exercício regular e se constrói a partir das problematizações que a vida oferece e, como tal, são inesperadas. Nesse mundo real, a articulação entre informação, conhecimentos e saberes é o que torna alguém competente para qualquer exercício profissional.
Com os servidores públicos de carreira da Prefeitura de Porto Alegre, aos quais compete zelar pelo funcionamento da cidade, não é diferente. Em recente palestra na capital, o pesquisador da Universidade de Genebra Abdejalil Akkari, apresentou a articulação entre aqueles três elementos de forma ascendente, definindo, na base, informação, como exterior à aprendizagem; sobre a informação, o conhecimento, como dependente do sujeito, de como ele se reconstrói, somando sua bagagem anterior com a informação nova e com o processo de apropriação da informação; no terceiro nível, os saberes, como o conjunto estruturado de conhecimentos, apoiado em um quadro teórico e, no último nível, a competência é definida como a prática dos saberes ou quando se observa o próprio saber em ação.
Saber fazer funcionar uma engrenagem como a da Prefeitura de Porto Alegre necessita da conjunção de muitas competências e habilidades, envolvendo inúmeros sujeitos. Entre essas habilidades se encontra a memória, que assegura a permanência de processos e a estabilidade da instituição que, ao contrário do que reside no senso comum, não deve ser do servidor, mas do serviço. É pela circulação e contínua atualização desses saberes sobre a memória permanente que se constitui a organicidade da Prefeitura. Romper essa memória é romper o interstício que une a diversidade das partes conferindo-lhe um caráter unívoco.
É precisamente o que ocorre quando, em funções cruciais, um servidor de carreira é substituído por alguém sem as devidas qualificações para o posto: descontinuidade no trabalho em andamento, dado que é o servidor do quadro quem tem a memória do serviço público. O prejuízo é de todos, desde a sociedade que custeia o funcionamento da máquina pública, passando pelos demais servidores que têm suas práticas cotidianas truncadas, e até mesmo dos governos, que se sucedem sem alterar uma imagem que já deitou tradiçao – a da ineficiência e ineficácia, a custos exorbitantes.
Com a aproximação de mais um período eleitoral, renovam-se as apreensões dos servidores comprometidos com a qualidade do serviço, face a triste possibilidade de que se veja, em breve, a repetição daquela realidade em que pessoas em cargos em comissão ocupam funções-chave. A cada novo governo, o que se verifica é a corrosão da memória do serviço público.
Diante disso, a Astec lança uma campanha PELA VALORIZAÇÃO DOS FUNCIONÁRIOS EFETIVOS NOS POSTOS DE CHEFIA, a bem do serviço público!
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